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quinta-feira, junho 03, 2004

MAIS AZUL

Os dias estão mais brilhantes, as horas têm mais sabor, as pessoas são mais quentes, os corpos mais bonitos, as palavras mais doces, a luz é mais intensa e as cores mais vivas. Cheguei a pensar, por momentos, breves instantes, que chegaram a ser dias, no dúbio desespero do cansaço, que precisava pôr-me no off, que urgia desligar-me do mundo.
Vou de férias. Estou a ir. Não me vou desligar do mundo. Acho que me cansei de o fazer. Estou on, vou manter-me neste registo e aptece-me fazer as pazes com o mundo. Vou bebê-lo avidamente. Téjá.


este é da vossa cor e vocês são todos bem-vindos!

terça-feira, junho 01, 2004

Para ti

Da luz, do brilho, do riso, do presente, do agora, do aqui, da memória, de ti, do ontem para amanhã, do longe, do perto, da dor, do beijo, dos dois, somados, em um. De mim. Para ti. Por mim.

segunda-feira, maio 31, 2004

BUDAS

Fui desafiado. Aceitei. A casa dos Budas Ditosos esperou-nos enquanto trocávamos pretensas especialidades argentinas e provávamos uma conversa descomprometida, sem tempo nem direcção, embora as horas e o local estivessem marcados. 21h30, Teatro D. Maria II. A Fernanda Torres apareceu-nos e contou-nos a vida (no final, devolve-nos, épica, a moral da história: "viver é foder")de uma baiana de 68 anos emigrada no Rio de Janeiro. Cheirou, emigrou, viveu, comeu (o tio, o irmão, os americanos, o português, o professor, teve pena de não comer o pai). Há ali uma quebra, algures, que só é quebrada perto do final. De resto, ela agarra-nos, envolve-nos, devora-nos, sacia-nos com um humor mordaz, acutilante, ritmado, húmido, descomplexado, crítico. Viver não é foder. Mas nunca fez mal a ninguém.

quarta-feira, maio 26, 2004

...Ou não

Sete minutos de atenção, um corte inglês que é espanhol, rever a estrela na Estrela, quebrar um silêncio com silêncio. Sinais que encontrei sem procurar, que não percebi numa primeira leitura e me engolem à medida que me transformam num qualquer devaneio wenderiano, enquanto voo nas asas do desejo de alguém que não me quer. E essa, basicamente, é a única certeza com que posso sair de uma charada que não pedi e para que não fui convidado. Prefiro as coisas simples. Nem que sejam as memórias. E foi por elas e por ela e por NÓS que me arrastei em labirinto de incoerências e desprezos e silêncios e dessa dor feia com que se mata um mundo.
Ela é única. Tem o calor próprio das estrelas e a arte de se movimentar com a agilidade, destreza e harmonia da bailarina que é. Sonhei podermos seguir caminho. Companheiros.
Não foi possível. Há-de vir alguém ao meu caminho na estrada. Esperei fosse ela.
Espero ainda...

Esta é púrpura. Sem desepero e doce.
AZUL


Todos os dias têm cor. Sem excepção. Muitas cores, até, num dia só. Há manhãs em que acordamos com a cor do dia, cinzentos ou radiosos, outras em que os dias são elevados ou se limitam à cor do nosso espírito: cinzenta ou radiosa. Há momentos de um negro profundo, pesado, em que todos caímos por instantes. Há sempre um sopro de amarelo num "bom dia" que se deseja. Há um vermelho de calor no sorriso que ela desenha, no gesto carinhoso que ele faz ou deixa adivinhar. Há o verde imenso de um vale sem fim no olhar de um menino, a quem nenhum dos mestres sinfónicos conseguiram imitar o riso. E há um azul liquido, profundo, leve, com todas as tonalidades da luz jamais imaginadas e que está sempre lá, mesmo nos dias em que não somos capazes de o discernir: aquele que os amigos nos trazem. Para mim, essa é a cor dos meus dias. Porque é uma escolha que posso fazer. Fiquem também com o azul deste amigo.

segunda-feira, dezembro 15, 2003

Há pessoas que ficam para sempre.
Mesmo os que nos deixaram pouco inteiros quando partiram. Mesmo partyidas e pouco inteiro, tenho-as. E vou gaurdá-las até ao fim dos dias. Porque fazem parte do meu todo, do meu mundo, dão-lhe cor e calor. Estejam noutra dimensão, metafísica ou não, tenham-se exilado no Tibete, para retiro espiritual, tenham seguido noutra direcção, tenham deixado este mundo, sem prévio aviso, tenham estado ou não, estão comigo. Em mim. Porque sim. Porque são.

este é um canto amarelo e azul, de calor e magia, para o que realmente conta e nos faz o que somos
Não sei se já repararam, mas os dias não são feitos de linhas rectas nem de tons monocromáticos. Foi só para lembrar. Porque é preciso estar preparado para as curvas e variações de luz. Sinto-me. Sintam-se também.

azul

sexta-feira, dezembro 12, 2003

Eu não sei blogar. Pelo que pude ler das matrizes deixadas por guru deste universo em entrevista a jornal de papel, não sei blogar. Porque foi deixada, de forma pouco abrupta, delicada, até, a promessa de que nada de intimista era transmitido na sua blogosfera. Demorei a recobrar do choque, mas pronto, ainda aqui estou. Com a ilusão de que cada qual bloga conforme entende. E vou continuar.

este é da cor "enquanto houver estrada para andar"

quinta-feira, dezembro 11, 2003

imperfeições


Elas, as que não têm uma cicatriz ao fundo das costas, as que não cedem à  ideia errada de que têm o peito pouco cheio, as que não se julgam pirralhas pouco interessantes, as que não negam ser bonitas quando alguém lhes diz que o são, não sabem, mas vivem na total ignorância da sua imperfeição. Esta foi a constatação de uma suspeita que há muito vivia em mim. A perfeição está nela.

este é de um azul saudoso

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